Faz um bom tempo que não paro para escrever no blog. Mas, o que aconteceu nessa semana me fez ter a necessidade de fazer isso. Não sou boa em me expressar verbalmente então, quem sabe escrevendo eu consiga transmitir o que ter recebido completos "estranhos" na minha casa tem me ensinado.
Bom... me inscrevi no chouchsurfing quando estava para viajar para a Europa para ter uma alternativa de hospedagem caso acontecesse algo. Acabei não precisando, voltei para casa e a conta no site ficou esquecida. Até que em setembro de 2018 chega um e-mail de uma solicitação de hospedagem. Era um Frances que estava vindo "mochilar" pela América do Sul e seu primeiro destino seria o Recife.
Acabei aceitando e ainda me lembro do receio nos olhos da minha mãe quando disse que iria receber um cara estranho em casa. Ela resolveu vir dormir comigo para "ajudar em qualquer coisa".
A experiência foi maravilhosa! Acabei ganhando um amigo em Paris (ou na China, onde ele está agora) e ainda provei uns biscoitos deliciosos que ele trouxe de lembrança.
Depois dessa experiência, não parei mais de receber haha Não sabia que em Recife transitava tantos estrangeiros! Aonde eles se encondiam?
Poderia citar o nome de cada um deles que seja com seu jeito, crença, profissão, história, atitudes, língua, costumes, comidinhas e bolsonisses me ensinaram algo e contribuíram para essa busca constante de me melhorar como pessoa.
Mas, esse poste é especialmente dedicado ao ultimo hospede que recebi: Jake dos Estados Unidos.
Jake solicitou hospedagem para 2 semanas, mas avisei que só poderia receber por uma e ele aceitou. Sempre gosto de aproveitar para apresentar um pouco da cidade (trabalho com turismo, né?) e combinamos fazer isso na minha folga.
Antes da minha folga, acabamos nos encontrando por acaso em um show de reggae no Recife Antigo que decidi ir de última hora à convite de uma grande amiga (Amanda).
E estávamos todos nos divertindo, dançando, conversando e curtindo o som até que, de repente, começamos a ser empurrados por uma multidão que estava correndo de alguma briga/arrastão que estava tendo. Até hoje, não sei de fato como a confusão começou. Só que foi um dos momentos mais tensos da minha vida. Acabei caindo e vendo outras pessoas caindo também e confesso que passou pela minha cabeça que poderia rolar tiro, mas ainda bem que não aconteceu isso. A confusão acabou, me levantei e comecei a andar à procura dos meus amigos, nessa altura me perdi deles.
Passei a notar que as pessoas estavam olhando para mim e comentando, foi então que me dei conta que meus pés estavam sangrando. Pisei em algum vidro durante a confusão e acabei cortando o pé.
Depois de uns minutos, finalmente, consegui falar com Amanda e me juntar aos meus amigos. Eles pegaram uma camisa e colocaram no meu pé na tentativa de parar o sangramento e interceptaram uma ambulância do SAMU que vinha atender um chamado para que me atendessem.
Resultado: fui parar na UPA, levei pontos e 10 dias de atestado.
Não podia mais acompanhar o Jake no passeio pela cidade e, ainda, iria perder o carnaval que seria em 8 dias.
Jake, mesmo sem me conhecer, foi comprar meus remédios, preparou almoço, jantar e fazia tudo para que eu me sentisse o mais confortável possível e não precisasse ficar me movimentando.
Muita gente me perguntou se eu não tinha medo de sair e deixar um estranho em casa, de receber um homem e várias outras coisas. Posso dizer que senti, mesmo não verbalizando isso. Mas, resolvi deixar esses medos de lado e passar a confiar mais nas pessoas.
Couchsurfing é mais do que uma plataforma de você economizar na hospedagem ou aprender um língua ou qualquer interesse que tenha por traz na hora que realiza o cadastro. É uma plataforma que possibilita, cada dia, você confiar e ver algo bom na humanidade e em você mesmo.























































